Projeto Anjos
Lute por uma Vida Saudável
PROJETOS


Hoje vou escrever sobre um projeto que me acompanhou durante a maior parte da vida. No momento deste post, posso dizer que estou há 31 anos conectado com ele. Foi o projeto "mãe" da minha carreira, o primeiro que idealizei, em 1995, no início da Faculdade de Educação Física da UnB. Ele influenciou todos os outros projetos que desenvolvi depois.
Não quero escrever sobre toda história e conjunto de experiências pessoais que me levaram a idealizar esse projeto no passado. Neste texto, vou me concentrar em explicar como ele funciona.
Anjos é um projeto educacional que associa a prática de uma ou mais modalidades de luta com outras atividades. Essas "outras atividades" são diversas, como por exemplo, atividades físicas, atividades de estudo e pesquisa, atividades ambientais, turísticas, empreendedoras, etc.
Sendo um projeto, quando desenvolvemos ele em algum lugar, definimos uma data de início e uma data de encerramento (ciclo de vida do projeto), avaliamos todo processo, os resultados e realizamos ou não uma nova fase.
As pessoas não pagam para participar presencialmente do projeto; elas apenas se comprometem com uma grade horária e pagam pelas faltas. Para participar online, as pessoas pagam.
O Manifesto dos Anjos foi um texto que escrevi em 2009 e transformei em manifesto em 2012, objetivando explicar a minha filosofia de trabalho para os profissionais e empresas que trabalhavam conosco (apelidados de 'Anjos'). O texto contém erros ortográficos, mas desde que foi impresso pela primeira vez, decidi não mudar mais nada. Todos erros do manifesto fazem parte da "personalidade" dele. Você pode ler o conteúdo dele logo abaixo e entender melhor por que trabalhamos da forma que trabalhamos hoje em dia:
Limitar nossa visão a ideia de que fazer uma luta é aprender algumas técnicas, táticas e aplicá-las no sentido de subjugar um oponente ou apenas praticar um esporte, é também fechar nossa mente para a enorme gama de possibilidades que lutar significa para nosso desenvolvimento.
Poderia entrar no dilema de buscar sentido para prática de uma luta indo de encontro a sua origem, mesmo sabendo que ela não é definida e se baseia na convicção que alguns historiadores/escritores têm que em algum momento, em algum lugar, alguém poderia ter iniciado um processo que resultasse nas diferentes modalidades que hoje existem. Acontece que, após alguns textos, qualquer leitor irá perceber que lacunas foram deixadas, quando não, completadas a favor das opiniões levantadas por determinado autor. Enveredar por essa estrada, daria um pouco de dor de cabeça. Só para esclarecer, um estudo nessa direção envolveria ciências como a simbologia, filosofia, psicologia, esoterismo, antropologia e geografia, todas elas associadas à história civilizatória e cultural de diferentes povos, em diferentes épocas.
Se por um lado a origem das modalidades de luta é indefinida, por outro, o instinto de lutar é natural da nossa espécie, existindo desde os primórdios da nossa evolução, quando lutávamos pela nossa sobrevivência. Se não sabemos ao certo quando surgiram, sabemos do que elas se apoderaram para surgir: Do nosso instinto para sobreviver, se opor a uma ameaça, reagir ao medo, em última análise, sermos agressivos. Todas modalidades tiveram sua origem trabalhando nossa agressividade em prol da superação de algum obstáculo. Em diversos momentos da nossa história, foram utilizadas para formar uma pessoa mais forte fisicamente, mentalmente e emocionalmente para realizar determinadas tarefas, atingir objetivos, nem sempre os mais nobres, mas que resultaram no que hoje temos de concreto e estamos tentando transcender, sugerindo a utilização de uma metodologia que contribua para sua evolução e, consequentemente, do praticante.
Hoje em dia, não lutamos pela sobrevivência como os nossos antepassados. Não temos que nos preocupar com nossos predadores. Estamos inseridos em um contexto sócio-histórico-cultural diferente. Nossos medos com o passar do tempo mudaram, mas é a reação a eles (independente de quais sejam nossos medos atuais) que nos movimenta na realização de nossos sonhos e projetos. Uma incapacidade ou inabilidade na “arte de lutar”, no sentido mais amplo que podemos dar a essa expressão, resulta numa incapacidade ou inabilidade de realizar nossas metas como seres humanos, isto é, nós não conseguimos ou não sabemos como fazer, nós “travamos”.
Entendo que uma luta, seja ela qual for, pode ter como fim, fazer com que seu praticante consiga perceber, trabalhar, dominar, disciplinar e expressar sua agressividade para lutar por realizações maiores que beneficiem toda a sociedade. Entendo que uma luta, nos dias de hoje, deve também assumir um papel fundamental: fazer com que as pessoas reaprendam a reagir ao medo. Medo de mudar, medo de tentar, de errar, do ridículo, de se sentirem incapazes, de buscarem a felicidade, de trabalharem por um mundo melhor, de acreditarem que podem fazer a diferença. Deve também assumir o papel de formar personalidades lutadoras que sirvam de exemplo, sejam líderes empreendedoras e incentivem outras pessoas a buscarem a superação de suas barreiras, dirigindo melhor suas escolhas durante as diferentes fases da vida.
Neste contexto particular que coloco a prática de uma luta, ela se afasta totalmente da imagem incitadora de violência que alguns tentam passar. Para mim, pessoalmente, praticar uma luta e ser lutador está num ângulo totalmente oposto do ângulo de se praticar violência e ser violento. Uma luta não deve servir ao ser humano para um determinado fim, e sim, mostrar como SER (realmente) Humano. Quanto mais enxergarmos nós mesmos, mais enxergaremos o próximo. Uma luta bem orientada faz o praticante olhar para dentro e buscar a melhor versão de si mesmo.
Sobre o Projeto Anjos:
O Projeto Anjos “nasceu e cresceu” dentro de um projeto de PD (Prática Desportiva), com a modalidade de luta Jiu-Jitsu, implantado na Universidade de Brasília em 1995 sob a coordenação do Professor Glauco Falcão. Por essa razão, sofreu e enfrentou uma série de preconceitos, por essa outra razão, hoje, busca um alcance maior para as ideias a respeito do que conhecemos. Toda verdade é relativa e está sujeita a interpretações que vão sendo moldadas a mercê das contribuições históricas e presentes, feitas por cada um de nós, envolvidos na construção da nossa cultura e do nosso futuro como participantes de uma complexa rede de relações humanas que cria a realidade que vivemos. A realidade é um produto da nossa intervenção! Se queremos mudá-la, devemos começar por nós mesmos, cultivando o hábito de individualmente nos revolucionarmos sempre que a serenidade se tornar uma prisão para evolução do nosso fazer e das nossas inteligências. Sejamos o exemplo daquilo que defendemos…
Sejamos os novos lutadores que a sociedade precisa!
Nosso projeto é também o resultado de uma proposta que estuda e põe em prática os meios adequados para que os fundamentos filosóficos, técnicos e estratégicos de diversas modalidades de luta, combinados com outras atividades, eduquem o corpo, o movimento, as inteligências, o coração e o espírito dos seus participantes através da orientação da aprendizagem no sentido de levá-los a desenvolver, entender, dominar e direcionar toda sua agressividade para reagirem aos seus medos e superarem suas barreiras, contribuindo, dessa forma, para o autoconhecimento e o entendimento de certos traços de personalidade – e contextos – que os impedem de se sentirem completos, felizes e buscarem uma nova consciência para uma vida saudável: uma vida que faça bem para eles, para os seres vivos que estão a sua volta e para o planeta.
Escrevi a primeira versão do texto acima em 2005, a pedido do Professor Sergio Sartori. Foi meu trabalho final em uma matéria chamada “Esportes de Combate”, apresentado durante o último semestre da minha graduação em Educação Física na Universidade Estácio do Rio de Janeiro. A matéria tratava da utilização pedagógica dos Esportes de Combate pelos Profissionais de Educação Física e o objetivo do trabalho era que cada um colocasse no papel “sua expressão pessoal do significado pedagógico de lutar” ou algo parecido com isso, pelo menos foi o que entendi na época.
O texto não foi apresentado com esse título, de lá pra cá também, sofreu uma série de revisões e atualizações, foi publicado em nosso site pela primeira vez em março de 2009 e se tornou nosso “manifesto” no início de 2012 quando reformulamos nossa apresentação. Através dele, resumo de forma simples e direta, sincera e transparente, a declaração das nossas intenções, da nossa busca e do nosso trabalho.
Prof Gabriel Ramos
Idealizador do Projeto Anjos
MANIFESTO DOS ANJOS
Anjos, um projeto de luta sim!
É isso! Hoje você pôde conhecer um pouco mais sobre o projeto que orientou nosso trabalho para o que desenvolvemos hoje. Até o próximo post!
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